coisas cotidianas...

Segunda-feira, Setembro 20, 2004


cansei de ficar escrevendo esse tipo de texto. não dá pra ficar criticando governo, brasil, etc...
vo mudar o rumo dos meus textos..

tentar fazer posts diários fazendo o que eu gosto de fazer: palhaçada

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Terça-feira, Setembro 07, 2004


Lula, hoje, dia 7 de setembro, consagrou a iniciativa do governo de resgatar a auto-estima do brasileiro. Propagandas televisivas, incentivos de novos heróis, e todas essas idiotices que só o nosso povo agüenta. Bem, até agora não compreendi o que Lula entende por "resgatar nossa auto-estima". Resgatar é buscar algo perdido. Não se pode perder alguma coisa que não se tem.
O brasileiro sempre levou na bunda durante toda a época. No império era maltratado como plebe. Na pseudo-república era maltratado como povo. Na ditadura era maltratado como animal domesticado. Agora, na democracia, é maltratado como povo ignorante que somos. Estima é orgulho. Até hoje nunca conheci nenhuma pessoa que passa fome, não tem dinheiro, trabalha feito um escravo e tem orgulho disso.

"O brasileiro é um povo legítimo, que acorda às seis da manhã, pega no batente, ganha pouco, passa dificuldade e ainda assim é feliz". Essa é a desculpa mais deslavada para justificar o fracasso dos nosso políticos e a ignorância de nosso povo. Tudo bem que a maioria esmagadora da população são analfabetos políticos, mas isso é atentado ao pudor. Qualquer pessoa em sã consciência que parasse para pensar descobriria que é um pouco impossível ser feliz nessas condições. E, mais impossível ainda, ser legítimo num país onde uma emissora e algumas revistas ditam o comportamento de toda população.

Wanderlei Lima, maratonista, foi apresentado hoje, num desfile em frente ao Palácio da Alvorada, como o novo herói brasileiro. Seu ato heróico foi correr da fome, correr da miséria, correr da sedução do crime, e, no momento mais importante de sua vida, deixar ser agarrado por um ex-padre maluco. O típico brasileiro: quando não se fode na entrada, se fode na saída. Sendo assim, todos somos heróis. Talvez seja essa a auto-estima que Lula quer empurrar ao brasileiro: a de um herói. Como diz meu amigo Ramon, heróis não servem pra nada.

O povo não precisa de auto-estima. Precisa de comida, dignidade e trabalho.


Sábado, Setembro 04, 2004


Odeio ver jogo do Brasil quando ganhamos. Qualquer tipo de jogo, antes que você cheguem a conclusão precipitada de que é futebol. Atualmente meu desgosto atinge até provas de corrida de vela da classe Laser(??). A pior parte chega quando o brasileiro vencedor se debulha em lágrimas. Calma. Não se estapeiem de raiva, pseudo-patriotas. Deixe-me molhar o bico.
Enquanto tem um brasileiro que não desiste nunca em algum lugar do mundo, chorando de emoção pelo sua vitória ou quadragésimo lugar num esporte sem tradição, as malditas emissoras - em especial a Globo - insistem em fazer flashs ao vivo no Pelourinho, onde o alguns negões exibidos tocam bumbos levantando as mãos pro alto, enquanto algumas mulheres vestidas de baianas(aquelas macumbeiras) ficam fazendo uns passos esquisitos, talvez, quem sabe, a dança da chuva. Durante essa passagem o narrador, totalmente empolgado, profere:
- Veja só, amigo. A festa por todo o Brasil. A alegria dos batuqueiros do Olodum. As baianas em festa. É BRASIL CAMPEÃO!
A batida desse ritmo e a dança das baianas são tão pobres e sem originalidade, que nos fazem perder a alegria pela conquista de algo. Mas a situação pode ser pior: tal transmissão pode mudar seu itinerário e visitar Fortaleza, para mostrar as cearenses dançando frevo no meio da rua, com seus bonitos e reluzentes guarda-chuvas coloridos. Eu acredito piamente que eles festejam assim toda vez que o Brasil ganha algo. E acredito, também, que o Brasil é a cara dos nordestinos.
Não sei o que levou o brasileiro a achar que ele se parece com o nordestino. Pode ser que haja algum trato entre as emissoras de TV e os estados que são taxados como a "cara-do-brasil". Muito dinheiro deve estar em jogo. Ou pode ser que o brasileiro goste de ser conhecido como nordestinos: feios e pobres.


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